O Apartheid digital massacra os mais vulneráveis

 

Por: Marcus Periks Barbosa Krause

 

Criança Em Frente Ao Computador – Ivan Radic   Flickr

 

É notório que a tecnologia penetrou diversos ramos, trazendo consigo inovações e mudanças consideráveis nas relações sociais, trabalhistas e econômicas e, de uma certa forma, moldando-se ao viés capitalista, onde os equipamentos e aparelhos eletrônicos ganham novas versões em um espaço de tempo curto, obrigando, com isso, as pessoas a substituírem na mesma velocidade, seus equipamentos por outros mais modernos, que satisfaçam suas necessidades. Diante dessa realidade, aqueles que se encontram em condições de equilíbrio financeiro acompanham essas evoluções tecnológicas fazendo aquisições de novos equipamentos, do outro lado grande parte da população, menos favorecida economicamente, não tem acesso aos equipamentos de última geração.

Outro ponto a se observar, neste contexto de exclusão e abismo, é quanto à internet, que ainda não é acessível à toda a população brasileira, seja por motivo estrutural ou econômico. As classes sociais mais baixas seguem neste abismo com isso ficam cerceadas de muitos direitos e sem o exercício pleno de sua cidadania.

O custo para manutenção e de acesso à internet ainda é muito alto em nosso país, além das mensalidades que não se enquadram no orçamento daquelas famílias cuja renda familiar não ultrapassa um salário mínimo, existem as taxas de adesões muitas vezes elevadas e a obrigatoriedade de aquisição de equipamentos para o funcionamento dos serviços. Estes fatores, por si só já são uma forma de excluir milhares de famílias ao acesso à rede mundial de computadores, sem contar os outros fatores.

A falta ou ineficiência dos programas ou projetos governamentais de inclusão digital que alcance essas famílias também é outro fator preponderante que só aumenta o abismo digital existente em nosso país.

Segundo dados do Mapa da Inclusão digital (FGV, 2012) o Brasil está na posição 63ª, em um ranking que analisa domicílios com internet de 154 países mapeados pela Fundação Getúlio Vargas. O resultado dos dados apresentados pela Fundação Getúlio Vargas demonstra esse abismo digital em nosso país e o quanto é necessário a aplicação de políticas públicas eficazes para mudar este quadro, ainda mais em tempos onde o Estado adota os recursos tecnológicos para levar educação aos alunos.

É notório que convivemos com muitas desigualdades, uma delas, que ficou mais exposta nos últimos meses, é esse “apartheid digital”, onde, de um lado, crianças residentes em lares das classes altas estão fazendo uso de seus equipamentos de tecnologia e de grandes marcas no mercado tecnológico, para acesso à educação e seus momentos de lazer e diversão, do outro, infelizmente, milhares de outras crianças que vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica, jamais tiveram acesso a um tablet ou smartphone para as mesmas atividades ou sequer sabem manusear tais equipamentos.

Um fato me chamou a atenção nos últimos dias sobre uma criança do 6º ano do ensino fundamental de uma escola pública na cidade de Pedreiras/Ma. O menino foi até a escola com seu caderno de matérias e fez a entrega à diretora informando-lhe que naquele caderno estaria suas atividades escolares que ele teria feito após copiá-las do celular de um colega de classe. Esse fato comprova esse “apartheid digital” que vem massacrando muitas crianças pobres.

Enquanto crianças de famílias de classe alta ganham de presente aparelhos celulares, tablets e notebooks de última geração, podendo fazer uso destes mecanismos para terem acesso à educação, as crianças mais vulneráveis não conseguem ter acesso à educação em tempos digitais e ficam privadas de um direito fundamental.

Enquanto este abismo existir, o analfabetismo digital irá persistir na sociedade, cabendo ao Estado promover políticas públicas de inclusão digital de modo a diminuir esta, tão grande desigualdade.

A solução seria um investimento em tecnologias nas escolas, de modo que os alunos tenham contato com novas tecnologias, já nos primeiros anos da vida escolar, desde sua entrada no prédio da escola, com mecanismos de controle de acesso, até os equipamentos e recursos metodológicos de apoio aos profissionais da educação.

Fonte do Artigo: 

https://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/o-apartheid-digital-massacra-os-mais-vulneraveis

Fonte da imagem: 

Ivan Radic / Flickr

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O Apartheid digital massacra os mais vulneráveis – Sarraute Educación María Magdalena

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