Pedro Fernandes, secretário estadual de Educação do RJ, é preso; ex-deputada Cristiane Brasil é procurada

Brasil/ 11 de setembro 2020/ Por: Erick Rianelli, Mahomed Saigg, Narayanna Borges e Paulo Renato Soares, TV Globo e GloboNews/ Fonte: https://g1.globo.com/

Operação do MP e da polícia investiga contratos de assistência social de fundação estadual e da Prefeitura do Rio entre 2013 e 2018, nas gestões Cabral e Pezão, no estado, e Paes e Crivella, no município. Pedro se diz ‘indignado’; Cristiane aponta ‘perseguição’ política.

O secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes, foi preso nesta sexta-feira (11) na segunda fase da Operação Catarata, que investiga supostos desvios em contratos de assistência social no governo do estado e na Prefeitura do Rio.

Procurada pela operação, a ex-deputada federal Cristiane Brasil não foi encontrada.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil afirmam que o esquema pode ter desviado R$ 30 milhões dos cofres públicos entre 2013 e 2018  — parte em espécie.

Pedro foi preso, segundo o MPRJ, por ações durante sua gestão na Secretaria Estadual de Tecnologia e Desenvolvimento Social nos governos de Sérgio Cabral e de Luiz Fernando Pezão — antes de assumir a Educação do RJ a convite de Wilson Witzel.

Fundação Estadual Leão XIII, alvo da investigação, era vinculada à secretaria de Pedro. A investigação afirma que o secretario ficava com 20% do valor de contratos assinados– tudo dinheiro de propina, segundo o MP.

Ao receber voz de prisão, Pedro Fernandes apresentou um exame positivo de Covid – 19, o que transformou a prisão preventiva em domiciliar.

Secretário de Educação, Pedro Fernandes — Foto: Divulgação

Secretário de Educação, Pedro Fernandes — Foto: Divulgação

Ex-deputada e ex-secretária

 

Ex- deputada Cristiane Brasil a caminho da polícia nesta sexta-feira (11) — Foto: Reprodução

Ex- deputada Cristiane Brasil a caminho da polícia nesta sexta-feira (11) — Foto: Reprodução

Havia um mandado de prisão também para a ex-deputada federal Cristiane Brasil, filha do também ex-deputado federal Roberto Jefferson  (que não é alvo da operação).

Cristiane responde por atos supostamente praticados entre maio de 2013 e maio de 2017, quando assumiu secretarias municipais nas gestões de Eduardo Paes e Marcelo Crivella.

Cristiane não foi encontrada em casa pela manhã. Por volta das 15h, ela estava a caminho da polícia. Ela chegou a postar um vídeo em redes sociais.

“A caminho de mais uma etapa difícil que enfrentarei de cabeça erguida. Não desisti da luta antes, não desistirei agora”, escreveu.

Segundo as investigações, Cristiane Brasil recebia propina de três forma: em dinheiro, através de depósitos em contas de outras pessoas, que devolviam os valores pra ex-deputada e também pelo pagamento de contas pessoais.

“A necessidade da custódia cautelar deu-se em razão de ela continuar mantendo relacionamento estreito com o núcleo privado da organização criminosa a ponto de receber propina em janeiro de 2019”, disse o promotor Clário Calo.

Cristiane foi secretária de Envelhecimento Saudável da Prefeitura do Rio e chegou a ser nomeada ministra do Trabalho  no governo Temer, mas teve a posse suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por conta de condenações na Justiça Trabalhista, reveladas pelo G1.

Cristiane Brasil — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Cristiane Brasil — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Presos na operação

 

  • Pedro Fernandes, secretário estadual e ex-presidente da Fundação Leão XIII;
  • Flavio Salomão Chadud, empresário;
  • Mario Jamil Chadud, ex-delegado e pai de Flavio;
  • João Marcos Borges Mattos, ex-diretor de administração financeira da Fundação Leão XIII.

 

Eles vão responder por organização criminosa, crimes licitatórios, peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

O que dizem os investigados

 

A defesa de Pedro Fernandes disse que o secretário “ficou indignado com a ordem de prisão”.

“O advogado dele vinha pedindo acesso ao processo desde o final de julho, mas não conseguiu. A defesa colocou Pedro à disposição das autoridades para esclarecimentos na oportunidade. No entanto, Pedro nunca foi ouvido e só soube pela imprensa de que estava sendo investigado por algo que ainda não tem certeza do que é”, diz a nota.

“Pedro confia que tudo será esclarecido o mais rápido possível ,e a inocência dele, provada”, emendou.

Em nota, Cristiane Brasil afirmou que a denúncia é “uma tentativa clara de perseguição política”.

“Tiveram oito anos para investigar essa denúncia sem fundamento, feita em 2012 contra mim, e não fizeram pois não quiseram”, disse. “Mas aparecem agora que sou pré-candidata a prefeita numa tentativa clara de me perseguir politicamente, a mim e ao meu pai.”

“Em menos de uma semana, Eduardo Paes, Crivella e eu viramos alvos. Basta um pingo de racionalidade para se ver que a busca contra mim é desproporcional. Vingança e política não são papel do Ministério Público nem da Polícia Civil”, emendou.

Em nota, a defesa de Flavio, Mario Jamil e Marcelle Chadud disse: “Os fatos não são novos. O TCE e a própria Fundação Leão XIII não identificaram prejuízos nos contratos da SERVLOG, vencidos na disputa através do pregão eletrônico. Não teve direito a prestar depoimento e colocar sua versão nos autos. A prisão é desnecessária e completamente sem justificativa fática e jurídica”.

Governo do RJ disse que a operação é uma investigação que começou na Controladoria-Geral do Estado e investiga contratos da gestão anterior; que a ação de hoje mostra que o governo estadual tem o maior interesse de que os fatos sejam investigados. O governo disse ainda que o projeto sob suspeita foi suspenso

Prefeitura do Rio disse que não tem contrato vigente com a Servlog Rio Consultoria e Assessoria Empresarial e não vai se pronunciar sobre projetos e gestões anteriores.

No telefone da Servlog Rio Consultoria e Assessoria Empresarial, ninguém atendeu.

G1 não conseguiu contato com as defesas dos outros citados na reportagem.

Polícia chega à casa de Pedro Fernandes na Operação Catarata 2 — Foto: Reprodução/TV Globo

Polícia chega à casa de Pedro Fernandes na Operação Catarata 2 — Foto: Reprodução/TV Globo

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