Educação do Campo e os efeitos da pandemia: Uma reflexão necessária

Por: Marcus Periks B. Krause Krause

Escola Educardo Galeano – MST

A modalidade de educação do campo é uma ferramenta muito importante no combate ao analfabetismo em nossos país, ela é uma forma de reparar a defasagem histórica existente no acesso à educação pela população do campo.

As pessoas que residem em áreas rurais dedicam maior parte do seu tempo em atividades agrícolas e pecuárias, consequentemente, possuem menor tempo para dedicarem-se aos estudos, uma vez que não podem abrir mão das atividades laborais, por ser o único meio de subsistência de muitos. Em alguns casos, os pais ou responsáveis pelas crianças da família, ao saírem para a labuta diária do campo, levam os filhos consigo, quer para os auxiliarem nas atividades rurais ou por não haver escola na comunidade local. No final das contas, o resultado disso será catastrófico, pois muitas crianças não conseguem ter acesso à educação, resultando-se em aumentos nos índices de analfabetismo.

É estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação que a oferta da Educação Básica para a população rural deve ocorrer com adaptações necessárias às peculiaridades da vida rural e de cada região. O Decreto 7.352/2010 dispõe sobre a política da educação do campo, e nele, estão elencadas as diretrizes a serem adotadas.

A suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia do Coronavírus escancarou assustadoramente os problemas relacionados à educação do campo e deixou um número, até então incerto, de crianças sem estudos.

As redes de ensino passaram a utilizar os sistemas remotos como forma de oferecer a educação durante este período de pandemia, aí é onde mora outro problema: o acesso à internet. Nas áreas rurais este acesso é baixíssimo ou zero, quer pela indisponibilidade do serviço, ou pela situação de vulnerabilidade econômica das famílias que vivem no campo.

O leitor poderia, neste momento, até retrucar: “mas as redes de ensino estão disponibilizando material impresso para os pais buscarem na escola”, ora se os índices oficiais mostram grande números de analfabetismo nas áreas rurais, como os pais ou responsáveis pelas crianças irão auxiliá-las na realização das atividades escolares? As atividades impressas, em muitos casos, precisam de explicações dos professores para que as crianças consigam resolve-las. Diante de tal situação, muitos pais não veem outra alternativa a não ser desistir do processo educativo do filho.

Cabe à União, conforme estabelecido no artigo 3º da Lei 7.352/10, a responsabilidade pelas políticas relativas à educação do campo. Medidas urgentes precisam ser tomadas, apenas retomar as atividades letivas no ano seguinte não será suficiente, serão necessários estudos, planejamentos, estratégias e principalmente investimentos para reparar todos os prejuízos causados à educação durante o ano de 2020, que afetou de forma mais drástica a população da zona rural.

Fonte do artigo: 

http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/educacao-do-campo-e-os-efeitos-da-pandemia-uma-reflexao-necessaria/

Imagem de destaque:

Escola Eduardo Galeano, quilombo Campo Grande, Campo do Meio – MG. Fonte: MST.

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