Portugal: Psicólogos mais presentes nas decisões de gestão escolar

Portugal 23 de outubro 2020/Por:  Andreia Lobo/Fonte:https://www.educare.pt

Cresce o reconhecimento do papel dos psicólogos escolares, ainda assim, muitas especificidades das escolas poderiam beneficiar de uma diminuição do rácio psicólogo/aluno, diz a vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, Sofia Ramalho.

Nunca se ouviu falar tanto da importância dos psicólogos para a sociedade como durante a pandemia COVID-19. O mesmo acontece na intervenção em contexto escolar, embora, antes da pandemia, já muitas escolas estivessem a contar com a psicologia para nortear a atuação.

“Com a pandemia tem havido uma preocupação maior em reconhecer a importância da gestão das emoções, das questões do autocontrole e da empatia, de promoção de estratégias para lidar com emoções mais negativas, na capacidade de resiliência dos alunos e da própria escola”, começa por explicar a vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, Sofia Ramalho. E, portanto, acrescenta, “há uma sensibilização e um reconhecimento cada vez maior de todos os órgãos de gestão e administração escolar e entidades governamentais, pais e professores para a necessidade deste tipo de intervenções e para a importância que a saúde e o bem-estar psicológico têm na aprendizagem”.

Quando reflete sobre passado e presente da psicologia na escola, Sofia Ramalho, fala de um novo paradigma. “Nos últimos anos houve mudanças muito significativas que nos trazem de um contexto em que o papel do psicólogo em contexto escolar era muito mais remediativo para um contexto mais atual em que o papel é mais preventivo.” Passos “muito significativos”, reconhece, foram ainda dados com a publicação dos decretos-lei 54 e 55 sobre educação inclusiva e autonomia e flexibilidade curricular.

Com a inclusão de todos os alunos, e não apenas dos que apresentavam dificuldades de aprendizagem, o decreto-lei 54 prevê a presença do psicólogo nas equipas multidisciplinares de apoio à educação inclusiva. “O psicólogo passa a ter um papel muito mais de consultoria e assessoria às tomadas de decisão nos órgãos de gestão e administração escolar do que um papel de intervenção individual apenas com o objetivo de recuperação de aprendizagens e de remediação de problemas psicológicos”, constata Sofia Ramalho.

Para fazer face ao que Sofia Ramalho descreve como uma “intervenção cada vez mais preventiva e promotora de escolas saudáveis”, nos últimos anos têm sido frequentes as chamadas de atenção da Ordem dos Psicólogos às entidades governamentais para a necessidade de contratar mais profissionais. Um apelo que, recentemente, se traduziu em medidas para o reforço do número de psicólogos nas escolas.

Ainda assim, admite a vice-presidente, continua a ser importante a diminuição do rácio que em 2019 dava conta da existência de um psicólogo para 1100 alunos nas escolas públicas portuguesas. Muito aquém do rácio de um psicólogo para 500 alunos existente nos estabelecimentos de ensino privado.

Ora, “diminuir ainda muito mais este rácio ajudaria a responder às especificidades das escolas”, advoga Sofia Ramalho, enumerando algumas delas: “Temos escolas cujas realidades do ponto de vista das populações vulneráveis são muito significativas; temos escolas com populações grandes migrantes, com muitos alunos com dificuldades de aprendizagem, ou cujas famílias têm baixos rendimentos sócio-económicos; escolas com problemas de bullying e de indisciplina muito significativos; ou seja, temos aqui um conjunto de situações que deveriam também beneficiar de um rácio diferente.”

Prevenir em vez de remediar

A mudança para um papel interventivo, de que fala a vice-presidente da Ordem, acontece “nas diferentes dimensões do aluno e não apenas na aprendizagem e junto de todos os elementos da comunidade educativa”. Mas torna-se ainda mais essencial no contexto da pandemia, afirma Sofia Ramalho.

“Os psicólogos têm neste momento um papel fundamental na consultoria aos órgãos de gestão e a toda a comunidade educativa, precisamente, para a tomada de decisões que permitam a melhor e mais eficaz compatibilização das medidas sanitárias com aquilo que são as tarefas de desenvolvimento próprias das crianças e dos jovens e com as medidas de promoção da saúde psicológica e mental.”

Sofia Ramalho considera ainda crucial a monitorização da saúde psicológica da comunidade educativa, tendo em conta as circunstâncias impostas pela pandemia. Alunos que chegam à escola com preocupações, ansiedades, experiências de perda ou de luto. Professores que além das suas próprias experiências da pandemia, podem estar a viver situações de stress e burnout. Por essa razão, reconhece novamente o “papel essencial dos psicólogos nesta matéria: “Cabe-lhes identificar esses indicadores, aprofundar a literacia sobre COVID-19 e promover nos alunos, professores e em todos os elementos da comunidade comportamentos pró-saúde e pró-sociais.”

Conciliar socialização e segurança

“As medidas de distanciamento físico são importantes mas, por outro lado, há necessidade de socialização, de interação social, de brincar, desenvolver atividades lúdicas e pedagógicas”, contrapõe a psicóloga. Questionada sobre como conciliar a segurança sanitária com a necessidade de socialização, Sofia Ramalho, esclarece que “dentro daquilo que são as orientações da Direção-Geral da Saúde, é importante que os psicólogos possam, com base na ciência psicológica assessorar as tomadas de decisão das direções de escola ao nível da preparação e da gestão dos espaços escolares”.

Inclusive, ajudar a considerar aspetos como a presença das famílias na escola. “Ter em atenção os momentos de separação das crianças pequenas, respeitar as condições de segurança mas, ao mesmo tempo, respeitar a importância da presença dos pais para que as crianças se adaptem e se integrem nas creches, nos jardins de infância ou nos primeiros anos de escolaridade.”

A par das recomendações do Ministério da Educação para a consolidação das aprendizagens, Sofia Ramalho, insiste na importância da recuperação emocional dos alunos. “Sem essa recuperação sócio-emocional e da saúde psicológica, sem esse bem estar psicológico, as crianças e os jovens não estarão em condições de fazer a recuperação das aprendizagens porque sabemos que essa condição é essencial para que eles tenham motivação e se envolvam no processo de ensino-aprendizagem, se este mínimo não está garantido vai ter um impacto muito significativo.”

Fonte da noticia: 

https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=176727&langid=1

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