Os mares da vida

Por: Janayna Alves Brejo

Sem pedir licença uma doença chegou,

Sem pedir licença pandemia se tornou,
Não nos contou até quando ficaria,
Não nos comunicou que redirecionaria nossa maneira de viver:
Em casa, no trabalho e, até mesmo, em nossa forma de olhar o mundo…

Este texto é um convite à reflexão, um chamado a pensar, pelo menos, durante alguns minutos, em nós, na nossa vida nesse momento. Não falaremos diretamente sobre literatura, mas realizaremos uma pequena “leitura” do nosso viver diário.

Muitos falam que é preciso cuidar da nossa saúde emocional, mas poucos contribuem para que esta seja realmente preservada. Sem pedir licença, o trabalho invadiu nossa casa e, de repente, fomos premiados com um “home office” frenético que, muitas vezes, prejudica não somente o ambiente familiar como também a saúde dos envolvidos. No trabalho em casa, as “Leis Trabalhistas” são completamente esquecidas e, porque não dizer, desrespeitadas. Observem que podemos ser muito mais duros conosco, do que o nosso próprio “chefe”, sobretudo quando suspendemos o nosso horário de almoço, a nossa pausa para o café, o nosso horário para terminar o expediente, na tentativa de dar conta da labuta diária.

E quem será que paga a conta? Talvez a nossa saúde, talvez as pessoas que amamos… O(a) filho(a) que nos pede ajuda durante as aulas remotas e não auxiliamos porque estamos “agarrados(as)” no trabalho, o(a) companheiro(a) que não pode fazer o mínimo barulho porque atrapalha o nosso raciocínio, o(a) irmão(ã) que não pode dar, sequer, uma descarga no banheiro, porque as pessoas que estão participando da reunião on-line conosco, não podem ouvir. E como lidar com isso, tentando não prejudicar com nossa postura, por vezes agitada e impaciente, aqueles(as) que estão a sua volta?  Buscando um quarto isolado, usando um fone de ouvido, adaptando um microfone… Tais atitudes podem até ajudar, mas será que resolvem o problema?

E o nosso celular que não para?  Antes o WhatsApp era só para os(as) amigos(as) e para a família. Velhos tempos aqueles! Agora, colegas de trabalho também estão lá dentro. E… Na tentativa de escaparmos desses incômodos, nós colocamos automaticamente, todos(as) no modo silencioso ou fingimos que não vimos as mensagens. Solução paliativa essa, não acham? Mesmo porque, as mensagens continuam lá aumentando, aumentando e aumentando em gênero, número e grau, como bem define a gramática da Língua Portuguesa.

Parece cômico?! Trágico?! Nada disso! Para muitos de nós, essa conversa é uma crônica real, vivenciada dia a dia! O que fazer então? Após pensarmos nesse turbilhão de coisas que aparentemente não possuem solução, vou lhes dar uma única sugestão de resposta para todas essas perguntas. Assim, proponho que cada um de vocês, neste momento, busque ouvir dentro do coração e, quem sabe, até repetir várias vezes no seu íntimo a frase: “eu tenho um compromisso inadiável em um evento chamado vida”.

Pois bem, se quisermos continuar participando desse evento maravilhoso que é a vida, será preciso que priorizemos, com calma e coragem, as coisas que são mais importantes, principalmente porque, no contexto dessa pandemia, conseguir enxergar o valor da saúde, significa enxergar quão preciosa é a vida, o evento de viver!

E como fazer isso? Tendo a consciência de que, como diz o ditado: “mares calmos não farão de nós bons navegadores”. Por isso, é imprescindível que enfrentemos esses mares agitadíssimos pelos quais estamos navegando, para conseguirmos continuar. Afinal, serão essas ondas marítimas gigantescas que nos trarão experiências nunca antes vivenciadas, se realmente tivermos forças para enfrentá-las.

Busquemos então, encarar de frente as ondas gigantes que estão diante de nós, em nosso dia a dia, com coragem, equilíbrio e persistência. Jamais tentando quebrá-las bruscamente com impaciência ou desânimo, pois agindo assim a força desse turbilhão de águas será capaz de nos derrubar. Para enfrentá-las e sermos bons(as) navegadores(as), precisamos “surfar” sobre elas, o que não significa “bater de frente”, mas navegar, remar com a sabedoria de um rio que segue seu curso natural, contornando as pedras, os obstáculos, sem permitir que suas águas saiam pela contramão.

Sigamos então, na certeza de que somos capazes de enfrentar as adversidades que nos são apresentadas em nosso cotidiano, “assumindo realmente o controle do barco e nunca permitindo que sejamos controlados(as) por ele”.

Fonte d artigo: 

http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/os-mares-da-vida

Imagem de destaque: Pixabay

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Os mares da vida – Sarraute Educación María Magdalena

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