Ensino de Língua Adicional: desafios no ensino EaD em contexto pandêmico

Por: Franciele Maria Martiny1

Laura Janaina Dias Amato2

Mayara Cristina Dias3

Milena do Carmo Lima4

 

 

 

A partir de 2020, o mundo encarou uma nova realidade educacional, um desafio tanto para docentes quanto discentes. O ensino à distância não era mais apenas uma opção, era o único meio seguro para não aumentar a disseminação do vírus Sars-Cov-19. Em meio a tantos teóricos e professores que defendem a educação de maneira coletiva e partilhada, tivemos que enfrentar o desafio do ensino em isolamento social.

Como pensar um ensino que seja minimamente motivante e interativo neste momento de tantas vidas ceifadas por uma doença de fácil contágio e pelos descasos que pairam nossas vidas através das políticas de morte instauradas pelos (des)governantes de nosso país? Neste cenário de incertezas e injustiças, nós, estagiárias do curso de extensão Português Brasileiro e Cultura na Fronteira para Migrantes e Refugiados ofertado pela UNILA, nos deparamos com um desafio enorme de preparar aulas significativas e dinâmicas para os estudantes. Isto não seria possível se não tivéssemos uma “estrutura” básica constituída pelo computador e internet; além disso, o ato de pesquisar plataformas interativas virtuais foi, mais do que nunca, uma ferramenta-ação auxiliadora.

Neste caminho, ressaltamos, justamente, a importância das plataformas digitais para um ensino-aprendizagem mais efetivo, ao mesmo passo evidenciando a necessidade de uma formação intercultural crítica que dialogue com as diferentes e diversas realidades que nos são apresentadas. Assim, a partir de estudos que problematizam as estruturas monolinguistas,  buscamos atuar para e com uma educação anticolonialista, a fim de nos posicionar contra uma educação bancária e um ensino fragmentado, acrítico.

Tendo claro para nós que a língua é produto de atividade social, que, portanto, possui natureza essencialmente dialógica, aplicamos o enfoque por tarefas – ou Ensino de Línguas por Tarefa (ELT) – dentro da perspectiva comunicativa, que consiste em atividades que necessariamente devem abordar contextos significativos, que proporcionem a prática da língua da mesma maneira em que ela é usada fora do ambiente formal de ensino. Como o ELT advoga práticas comunicativas autênticas (ou seja, reais), não só há a troca de informações verídicas e contextuais por meio de diversos gêneros textuais, mas também o diálogo entre interlocutores com um propósito verdadeiro, distanciando-se do estudo da estrutura da língua.

Neste mesmo sentido, apesar de centrarmos grande parte das aulas síncronas e atividades assíncronas a partir de um viés comunicativo e da aplicação do ELT, também se faz necessário pontuar que nossa prática docente empenhou-se em não seguir  na lógica da utilização de um ou outro método, variamos muito na criação das dinâmicas, atividades e no compartilhar de conhecimentos, valendo-nos do pós-método.

A partir das particularidades de cada sujeito envolvido no curso, de nossa prática e conhecimento acerca de abordagens e teorias do ensino de línguas, possibilitamos, coletivamente, um ensino firmado em diferentes metodologias, conforme o contexto geral. Formulamos tarefas interativas e dinâmicas através de plataformas virtuais (de ensino ou não), como a elaboração de currículos pelo Canva, ou a construção de podcast pelo Anchor, ou a elaboração conjunta e simultânea de argumentos para defender a ideia coletiva através do Google Drive num mesmo arquivo no qual todos escreviam ao mesmo tempo.

Em tempos de ensino remoto que envolve isolamento social, plataformas digitais e inovação metodológica, é essencial que o docente seja o próprio teórico de suas práticas pedagógicas, em outras palavras, um professor pesquisador, de modo que explore métodos que melhor se encaixem em seu contexto de ensino (preferencialmente métodos ativos) fazendo com que cada aula tenha significado ao discente.

Acreditamos que todos estão fazendo o possível para aprender e ensinar em contexto de vida e morte, ou seja, em contexto de pandemia, o qual, parentes, entes queridos e amigos enfermavam-se ao passo que 81 e-mails da farmacêutica Pfizer, oferecendo a vacina para o vírus, eram ignorados pelo Ministério da Saúde sob o atual (des)governo federal em que (sobre)vivemos. Todos estão também fazendo o possível para aprender e ensinar, enquanto no tempo em que nos preocupávamos com saúde e vacinação, não só sofremos um bloqueio orçamentário de R$ 2,7 bilhões no Ministério da Educação, como ainda foram vetados R$ 2,2 bilhões do mesmo ministério, totalizando quase R$ 5 bilhões a menos no setor público educacional.

Apesar do desmonte na educação e saúde, continuamos lutando diariamente com o que possuímos para ofertar a todos uma educação de qualidade, mas em segurança sanitária.

Viva à educação! E, viva ao SUS!

 

1 Docente da área de Letras e Linguística da UNILA e orientadora de estágio do curso de Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras. E-

2Docente da área de Letras e Linguística da UNILA e coordenadora do projeto de Português Brasileiro e Cultura na Fronteira para Migrantes e Refugiados.

3Graduanda do curso de Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras na UNILA.

4Graduanda do curso de Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras na UNILA.

Fonte o artigo: 

http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/ensino-de-lingua-adicional-desafios-no-ensino-ead-em-contexto-pandemico

Imagem de destaque: Hatice EROL

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